Mãe de Isabelle Caracristi lamenta soltura do namorado da jovem: ‘Tristeza e decepção’
Isorlanda Caracristi, mãe de Isabelle, em vídeo publicado no dia 18 de setembro, falando sobre a morte da filha. Redes sociais/Reprodução “Muita tristeza ...
Isorlanda Caracristi, mãe de Isabelle, em vídeo publicado no dia 18 de setembro, falando sobre a morte da filha. Redes sociais/Reprodução “Muita tristeza mesmo para todos nós, e decepção”. Isorlanda Caracristi, mãe de Isabelle Caracristi, falou do descontentamento da família com a soltura do namorado da jovem, João Munhoz Neto, em entrevista ao g1 nesta sexta-feira (2). O bacharel em Direito é investigado por indução ao suicídio e violência psicológica contra Isabelle. João Munhoz Neto foi solto na tarde desta quinta-feira (1º), após decisão judicial. Ele deixou o presídio em Aquiraz, na região metropolitana de Fortaleza, acompanhado da advogada. A soltura ocorreu após o juiz da 5ª Vara do Júri da Comarca da capital acolher o pedido da defesa e a manifestação do Ministério Público e revogar a prisão preventiva dele. ✅ Clique e siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp “Nós recebemos com grande tristeza, grande tristeza, porque já existem provas mais do que concretas, que ele realmente estabeleceu uma relação de assédio, uma relação com minha filha de violência, violência emocional, psicológica”, lamentou a professora universitária Isorlanda Caracristi. A Justiça concedeu a liberdade de João Munhoz estabelecendo algumas medidas cautelares; entre elas o distanciamento dos familiares da vítima, o monitoramento eletrônico e a proibição de se ausentar da comarca. A Justiça não divulgou, no entanto, com base em quais motivos revogou a prisão. “Então, tudo isso nos deixa muito triste, mesmo ele tendo sido solto sob circunstâncias restritivas, mas é muito triste saber que ele está solto [...] Mas nós vamos continuar lutando porque nós vamos até o fim, para termos a justiça”, reforçou Isorlanda. “Porque esse caso pode ser um caso exemplar, para que outras meninas não sofram o que a minha filha sofreu”, complementou. A mãe de Isabelle disse ainda que as advogadas que representam a família estudam o caso para saber quais os próximos possíveis passos jurídicos. “As nossas advogadas estão vendo isso. Elas são técnicas e estão tentando ver essas possibilidades, nesse sentido”, explicou a professora sobre um possível recurso contra a soltura de João Munhoz Neto. Solto após dez dias preso João Munhoz é solto de presídio em Aquiraz João Munhoz Neto foi solto após passar dez dias preso suspeito de violência psicológica e induzir Isabelle Caracristi ao suicídio. Ela foi encontrada morta no pátio do condomínio onde morava com ele, em Fortaleza. Ele não concedeu entrevista na saída do presídio. Ele foi preso no dia 22 de setembro. À época, a Polícia Civil informou que ele atrapalhou as investigações sobre a morte da universitária. A advogada Lígia Peixe, que representa João Munhoz Neto, afirmou, antes da soltura, que "essa é a primeira fase para que se comprove a inocência do meu cliente. Ele nunca fez nada do que está sendo acusado". "A liberdade dele hoje é um direito. Ele nunca deveria ter sido preso, porque ele nunca obstruiu a justiça. Ele sofreu com a perca da namorada, e hoje ele está sendo posto em liberdade com medidas cautelares. Mas isso é apenas uma primeira fase, até que nós comprovemos no final a inocência total dele, de todas essas acusações absurdas", completou a advogada. João Munhoz Neto deixou o presídio em Aquiraz, nesta quinta-feira (1º). Reprodução. Perícias do caso Isabelle Caracristi e João Munhoz Neto Reprodução Desde o início da apuração sobre a morte da universitária até a última segunda-feira (28), a Polícia Civil do Ceará ouviu 28 pessoas, e a Perícia Forense concluiu 13 análises periciais. Ao todo, 20 peritos e auxiliares de perícia atuam no caso, com investigação conduzida pelo Grupo Especial de Investigação (GEI), composto por equipes da 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital, 2º Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza e Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Celulares, dispositivos eletrônicos e imagens de câmeras seguem sob análise, bem como outras diligências são efetuadas pela corporação no intuito de elucidar todas as circunstâncias da morte da universitária, bem como a cronologia de ações que antecederam o fato. Áudios e mensagens do caso Isabelle Caracristi Testemunhas ouvidas Entre as testemunhas ouvidas pela polícia, estão uma diarista, a síndica do prédio onde eles moravam e a ex-mulher de João Munhoz Neto. Elas prestaram esclarecimentos no último fim de semana. A ex-mulher de João Munhoz prestou depoimento no sábado (26). Legalmente, ela ainda é casada com o bacharel em Direito. No entanto, a defesa de João Munhoz afirma que eles estavam em processo de separação quando ele conheceu Isabelle. O Fantástico revelou que a ex-mulher de João aparece com ele em câmeras de segurança na noite da morte de Isabelle. Eles estiveram juntos no momento em que ele estava na missa, no bairro de Fátima, e logo em seguida, quando ele foi até a Rodoviária de Fortaleza. Depois destas imagens, João Munhoz aparece voltando sozinho para o prédio, após a morte da jovem. Outra testemunha que compareceu ao 2º Distrito Policial no sábado (26) foi uma diarista que prestava serviços na residência de João Munhoz. A advogada Lídia Aguiar, que representa a diarista, disse à TV Verdes Mares que a cliente ia duas vezes ao imóvel, teve contato com Isabelle, mas nunca presenciou discussões entre o casal. Segundo a advogada, a residência tinha câmeras de segurança. Lídia Aguiar afirmou ainda que a cliente dela não tinha conhecimento do caso e não fez a limpeza da casa, apesar de ter ido ao local para trabalhar no dia 15 de setembro, dois dias após a morte. "Ela já era acostumada e tinha os dias determinados [de ir]. Ela não tinha conhecimento do que ocorreu, ninguém informou para ela, e ela foi fazer o serviço dela. Quando ela chegou lá, que ela tomou o conhecimento do que tinha ocorrido, ela só saiu do imóvel, mas ela não chegou a limpar ou teve essa intenção de limpar a cena, não, nada, estava tudo normal no apartamento", afirmou a advogada. A síndica do prédio onde João Munhoz morava também prestou depoimento. Conforme apuração da TV Verdes Mares, foi esta testemunha quem confirmou que João Munhoz chamou o porteiro para tentar encontrar o celular de Isabelle, vasculhando as lixeiras do prédio. Ela também relatou que o namorado da jovem pediu para que a família de Isabelle não tivesse acesso ao condomínio. Além das pessoas ouvidas na investigação, a polícia analisa mais de 700 de vídeos e fez diversas perícias. Depoimentos ouvidos pela Polícia Civil apontaram que João apresentava um perfil controlador, restringia a liberdade da vítima e controlava a rotina dela. Infográfico: Morte da estudante Isabelle Caracristi, em Fortaleza Arte g1 Assista aos vídeos mais vistos do Ceará: